Luan Thomazio

Luan Thomazio

Jornalista
Tempo de leitura: 9 minutos

As conexões entre Fernando Bonfá e o mundo esportivo vem antes da atuação como locutor. No final de 2010, a participação em uma competição de Canoa Havaiana teve que ser interrompida, devido a uma cirurgia ocasionada por um acidente doméstico. Naquele momento, com a vontade de participar do evento de alguma forma, uma conversa com seu treinador fez Fernando identificar a função de locutor. Publicitário de formação, o locutor sempre teve o esporte em sua rotina na comunicação social, como por exemplo o trabalho na revista Hardcore.

Natural de São Paulo, Fernando Bonfá, de 39 anos, se diz entusiasta do esporte, não só por praticar canoagem, Stand Up e outros esportes de água, mas também por acompanhar o universo esportivo. Como locutor, Fernando tem campeonatos memoráveis, a competição de escalada organizada pela Red Bull, em 2014 na cidade de São Paulo, é um exemplo. Dinamismo do apresentador e energia do público não faltaram. Com os toques de humor e animação de Bonfá, o evento foi “transformado” em um programa de auditório, com atrações de intervalo.

De acordo com ele, o esporte é uma ferramenta que proporciona conexões sociais muito interessantes. Mediante a essa reflexão que é construído o vínculo entre o locutor e os atletas, segundo ele, humanizar o esporte através do trabalho mostra que o esportista é normal como qualquer outra pessoa. Isso aproxima Fernando dos atletas, e causa uma sensação profissional gratificante.

Fernando Bonfá praticando canoagem – Foto/Divulgação: Arquivo Pessoal

O locutor que não abre mão de praticar esporte nas horas vagas, cita o prazer que teve ao remar nas cidades da Região dos Lagos, com destaque para a Lagoa de Araruama. Segundo ele, a Canoa Havaiana é o esporte a remo que mais cresce no país, com solidez e de maneira orgânica. Entretanto, Fernando ressalta que os esportes de água precisam de atenção, e principalmente incentivo do governo. Praticar esporte significa bem-estar e qualidade de vida para as pessoas. Destaca ele

Potencial para o crescimento do Paddle Sports (esporte de remo) no país não falta, é o que diz o locutor. Segundo ele, o Brasil tem a maior bacia hidrográfica do mundo, com rios, lagos e lugares que permitem a prática dos esportes a remo. A torcida de Fernando é para que um dia os esportes de água tenham mais investimento e apoio do poder público.

Foto/Divulgação: Arquivo Pessoal

CONFIRA abaixo a entrevista completa com Fernando Bonfá:

  • Como e Quando se tornou locutor esportivo?

Eu me tornei locutor esportivo literalmente por acidente, eu treinava canoagem na raia da USP, Canoa Havaiana, e foi quando eu estava me preparando para uma competição que aconteceria em duas semanas, isso no final de 2010. Eu sofri um acidente doméstico e quebrei a minha mão, tive que fazer uma cirurgia e fiquei de fora da competição, conversando com o meu treinador, manifestei a ela a minha vontade de poder participar do evento de alguma forma, ele me passou uma série de funções que ele estava recrutando para o staff e eu identifiquei a função de locutor e vi que não tinha ninguém que estava ocupando essa função, foi quando eu lembrei de muitos trabalhos que já apresentei na faculdade, do que eu também já fiz em treinamento de vendas, e por ter trabalhado na área comercial. Então eu resolvi arriscar e deu certo, foi muito bacana, a partir dali um outro espectador que também era organizador de eventos, viu meu trabalho e me convidou para fazer um outro evento na Represa da Guarapiranga, que inclusive eu pretendia competir, eu já estava recuperado, foi muito interessante que ao mesmo tempo que eu remei, eu também fiz a locução (risos), a partir daí não parei mais e continuei fazendo outros eventos.

  • De uma maneira geral, você se inspira em alguém para realizar seu trabalho?

Tenho muitas referências, vou falar uma delas que tive o prazer de trabalhar, é um locutor Internacional chamado Dreu Murin, que é locutor oficial do Pacífic Paddle Games, um dos eventos mais importantes de Stand Up Paddle do mundo. Trabalhei com ele em dois eventos aqui no Brasil e foi uma experiência incrível. Além disso, entre os brasileiros, eu tenho como referência o Rhoodes Lima, do Canal Combate, e tenho como referência também o Zé Silvério, que pra mim é o melhor narrador de rádio de todos os tempos. O Silvio Luiz também, que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente, e também uma dupla de narradores e comentaristas, Paulo Bonfá e o Marcos Bianchi que eram respectivamente comentarista e narrador da MTV rock gol, eles agregavam muito em humor no trabalho deles. Eu procuro trazer humor para o meu trabalho também, então são algumas das referências das quais eu procuro me basear, além disso tem inúmeros grandes profissionais que admiro bastante e sempre procuro acompanhar.

Fernando Bonfá com Dreu Murin – Foto/Divulgação: Arquivo Pessoal
  • Além de locutor, você trabalha em outras atividades?

Infelizmente ainda não dá para sobreviver apenas como locutor de eventos esportivos, tem que ter outra atividade também, que é importante. Trabalho na verdade há 18 anos como publicitário, sempre em veículos de comunicação, sempre na área de Publicidade comercial. Hoje eu trabalho na Editora Abril, no departamento de publicidade e além disso  já atuei também como locutor comercial na produtora Lua Nova, que é uma das mais renomadas aqui de São Paulo, onde eu aprendi muita coisa, trabalhava no setor de atendimento e também fazia locução comercial, foi uma experiência muito bacana, enfim, tem que se desdobrar em outras  atividades também,  pois só trabalhar em eventos ainda não é o suficiente para rentabilizar.

  • Como é a sua relação com o esporte?

Eu sou um apaixonado pelo esporte, sempre fui, a minha história, minha própria trajetória dentro de veículo comunicação sempre teve uma ênfase grande na mídia esportiva, já trabalhei com revistas de surf, como a Hardcore, entre outros veículos de comunicação, mas sempre com foco muito grande no esporte, eu sou um apaixonado por vários esportes, principalmente os esportes de água. Eu sou praticante de canoagem, Stand Up Paddle, e Surf também de vez em quando, enfim. Eu sou um grande entusiasta do esporte, não só de praticar, principalmente de acompanhar, quando se fala de esporte, eu acompanho dos mais diversos esportes.

Foto/Divulgação: Arquivo Pessoal
  • O esporte tem o poder de aproximar as pessoas, como é sua relação com os atletas, tem proximidade com alguns?

Sem dúvida o esporte é uma ferramenta que proporciona para você conexões sociais muito interessantes, como já era praticante antes de ser locutor, então isso já me trouxe um vínculo muito grande com muitos atletas, e depois que eu virei locutor então, que você passa a ter um contato maior com um número muito maior de pessoas, isso sem dúvida se amplificou. Eu procurei sempre no meu trabalho humanizar o esporte, mostrar que as pessoas são engraçadas, são falíveis, são pessoas normais como qualquer uma, e acho q isso te aproxima muito dos atletas. Tenho um vínculo de amizade legal com muitos deles, o reconhecimento do meu trabalho por esses atletas é muito gratificante.

  • Qual competição mais marcou sua carreira como locutor? Alguma especial?

A Competição que mais marcou a minha carreira foi uma competição de escalada organizada pela Red Bull, evento realizado em 2014, na virada esportiva, que é um evento que acontece aqui na capital (São Paulo), que mobiliza uma série de ações de eventos esportivos. A nossa foi muito legal, foi um desafio de escalada em um prédio muito famoso aqui em São Paulo, na avenida Paulista, no prédio da Gazeta, onde os 10 melhores escaladores do Brasil se desafiavam para escalar esse prédio. Foi um evento muito dinâmico, muito interessante, de alta performance, muito engraçado, com muito humor e uma energia muito grande do público, a gente fechou um quarteirão da avenida paulista e transformamos aquilo em um programa de entretenimento, em um programa de auditório, tinha atrações de intervalo, uma delas era o Fernandinho beatbox, entre outras atrações, foi a competição que mais marcou na carreira.

Com o também locutor, Dreu Murin – Foto/Divulgação: Arquivo Pessoal
  • Como você chegou ao cenário dos “Paddle Sports”?

Eu entrei nesse universo esportivo do paddle principalmente por trabalhar na época, em 2007, em uma revista americana chamada Go Outside, eu trabalhava lá e recebi um convite do Alessandro Mateiro “Amendoim”, que é uma das grandes referências do esporte no Brasil, para integrar a escola dele e começar a praticar, eu tive um outro acidente que machuquei meu ombro, precisava procurar uma atividade pra fortalecer e sempre detestei academia. Eu comecei a praticar na raia da USP, em São Paulo, na escola do Alessandro Mateiro. A partir daí fiz bastante amigos, e transformou minha vida sem dúvida, foi então que ingressei nos esportes a remo, depois passei a competir como amador, até começar a fazer locução e não parar mais. Geralmente nos eventos eu tenho vontade de estar na água, mas a responsabilidade é estar em terra fazendo locução, quando vejo o pessoal remando, dá uma vontade também. (risos)

  • Você tem o programa “Water Chats”, como surgiu a idéia?

O Water Chats surgiu de uma maneira espontânea, na verdade eu vinha acompanhando o movimento das transmissões ao vivo nas redes sociais, era 2017, mês de março e eu precisava promover alguns eventos que iriam acontecer em abril. Eu comecei fazendo transmissão ao vivo totalmente espontânea, sozinho com uma câmera ligada, com as pessoas acompanhando, me surpreendi com o resultado, com a audiência. Alguns amigos me estimularam a fazer mais transmissões, só que eu comecei a trazer convidados pra poder discutir temas diferentes, foi ai que eu me liguei que o mais legal era a gente contar a história dessas pessoas, então a partir daí começaram a ser entrevistas onde a gente faz praticamente uma biografia da vida do entrevistado, pessoas que fazem parte do esporte de água no Brasil. Uma experiência muito interessante, eu fiz no mesmo formato praticamente dois anos e agora eu interrompi um pouco as transmissões, pois eu estou em parceria com uma nova equipe, uma produtora, em que a gente está desenhando um novo formato, para o programa. Senti que era hora dá gente trazer mudanças. Por enquanto o Water Chats está suspenso para que volte até junho desse ano em um formato mais dinâmico e estruturado, inclusive o nome do programa foi escolhido pelos espectadores.

Entrevista no Programa Water Chats – Foto/Divulgação: Arquivo Pessoal
  • Qual entrevista mais marcou sua carreira? Tem algum atleta que você tem aquela vontade de fazer uma entrevista?

Seria injusto citar uma entrevista, tiveram algumas entrevistas que foram muito importante, uma delas que foi o ponto da curva no programa, foi o Celso Filetti, que é um dos embaixadores da Canoa Havaiana no Brasil, a gente teve um salto de audiência muito grande com essa entrevista, ele disse coisas muito bacana, ele é um cara que tem muito conteúdo. Outra entrevista que eu também cito, que foi um exemplo de vida, uma entrevista muito bacana que foi entrevista do Fernando Rufino, e também do Igor Tofaline, dois para-atletas que já representaram o Brasil em eventos importantes, deram exemplo de superação e muito humor dentro da entrevista. Simplicidade, humor e superação, foi incrível, esses atletas especiais nos motiva e nos inspira. Outra entrevista muito bacana em termos de conteúdo, que eu achei uma aula de surf, foi com o Renan Rocha, que já foi surfista profissional e hoje é comentarista da ESPN, das transmissões da WSL, foi muito bacana, sem dúvida uma das mais legais que eu já fiz.

  • Aqui na Região dos Lagos tem a lagoa de Araruama, que poderia ter um incentivo para aumentar a prática de Paddle sports. Em relação a esse exemplo, como você vê o crescimento da Prática no Brasil?

Já tive o prazer de remar na Lagoa de Araruama algumas vezes, e também em algumas praias das cidades da Região dos Lagos. Realmente é incrível, já estive em Saquarema, Araruama, Búzios, Cabo Frio, São Pedro Aldeia e Iguaba, tem potencial incrível, geografia muito favorável para prática de esportes. A Canoa Havaiana hoje desses esportes a remo, é o que mais está crescendo, o mais interessante é que cresce de uma maneira orgânica, não é como modismo, cresce com solidez. Eu acho que a verdade é que as pessoas no Brasil ainda precisam conhecer mais a respeito dos esportes de água, a gente tem muitos fatores para realmente fazer com que o esporte cresça no país. Um deles é que a gente tenha também o próprio incentivo do governo, porque eu conheço muitas escolas de canoagem na Califórnia que estabelecem parcerias público-privadas. A partir do momento em que as pessoas estão praticando esportes, isso significa bem-estar e qualidade de vida dos moradores de uma determinada cidade por exemplo.

Fernando praticando Canoagem – Foto/Divulgação: Arquivo Pessoal
  • O que você espera do Paddle Sports no Brasil daqui a uns anos?

Eu vejo um potencial muito grande no nosso país para o crescimento dos esportes, primeiro lugar porque a gente tem uma faixa litorânea gigantesca e maravilhosa, a gente tem a maior bacia hidrográfica do mundo, a gente tem rios, lagos, represas, e lugares incríveis que permitem a prática dos esportes a remo, lugares de altíssima navegabilidade. Eu torço para que cresça, vejo um cenário muito positivo, mas também não coloco grandes expectativas em pensar que isso vai ultrapassar o futebol, acho que isso é praticamente impossível, o futebol é a grande paixão do brasileiro, mas acho que a gente vem numa curva muito positiva, é aquilo que eu digo, a gente precisa ter um incentivo maior de mercado, a gente precisa ter mais empresas fabricando, produzindo equipamentos, prestando serviços, para que a gente consiga ter mais investimento. Que a gente tenha também um pouco da atenção do poder público, para incentivar a prática dos esportes. É claro que quando a gente coloca muito governo no meio da vida das pessoas, atrapalha bastante, o governo geralmente mais controla do que beneficia, mas se o governo cumprisse com  o mínimo, que seria cuidar do básico, que é saneamento básico por exemplo, que proporcionaria uma melhora muito grande e um ambiente mais favorável para o crescimento desses esportes.

 

Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os Termos de uso, denuncie. Leia a Política de comentários para saber o que é impróprio ou ilegal.