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Eu levanto a minha voz, não para que eu possa gritar, mas para que aqueles sem voz possam ser ouvidos.”
Malala Yousafzai

Ser mãe não é fácil. Ninguém avisou que iria doer tanto, e como iria doer em todas as fases. Carregar um bebê dói, há dores nas pernas, nas costas, os enjoos… tudo dói. Há dor no peito que sente o medo da grande responsabilidade, que também dói. Parir, dói! (e como!) o pós parto, dói, ver aquele ser pequenino chorando sem saber ainda decifrar os sinais, perder as noites em claro, amamentar, dói demais. Voltar a trabalhar depois da licença dói, deixar a carreira e ficar em casa também dói. Perceber a febre, a tosse, os primeiros machucados, o primeiro dia de escola e as lágrimas na despedida… como dói.

Há porém uma dor solitária, uma dor que só algumas mães foram postas à prova para sentir, uma dor que se mistura no início ao medo, e depois se transforma em força. Algumas mães sentem essa dor antes mesmo do parto, quando descobrem ainda em exames que seus pequenos presentes são especiais, outras, levam tempo… começam a desconfiar de comportamentos diferentes, começam a levar para especialistas, começam a ter dificuldades na escola, e então num dia que deveria ser bem comum, vem a dor, quando quase sempre já se esperava. Quase sempre dizem que já sabiam o que iriam ouvir no diagnóstico, mas mesmo assim quando ouvem choram.

Para algumas um choro abafado, quase envergonhado de existir, afinal nós mulheres fomos ensinadas que precisamos ser fortes. Para outras, um choro aberto, de quem pede socorro… Durante meu tempo em consultório, trabalhando com avaliação clínica, já passei por tantos tipos de choro, e mesmo assim, cada um deles, ainda me leva de volta ao meu próprio dia de choro… Descobrir que é mãe de uma criança especial dói.
Mas sabe o que realmente dói? Ver nossos filhos crescer em meio ao descaso, ver escolas agirem como se recebê-los fosse um favor, ver pessoas olharem com olhos maldosos, não saber o que esperar do futuro. Dói tanto, que a gente fica mais forte, se sente uma super heroína! Sente que vai proteger de tudo, dar conta de tudo, resolver tudo, e enfrentar tudo. O problema, é que uma hora, vem a percepção, de que não podemos resolver tudo, dar conta de tudo, proteger de tudo. Então o sentimento de impotência dói. Sentir-se pequena demais, fraca demais e sozinha demais diante de um desafio tão importante, dói!

E o que dizer dessas mulheres? Essas que de acordo com o Journal of Autism and Developmental Disorders, apresentam um nível de estresse que assemelha-se ao estresse crônico apresentado por soldados combatentes? E mesmo assim estão em tantas frentes quanto podemos imaginar, estão nas escolas trabalhando e falando sobre inclusão, nos fóruns e câmaras brigando por direitos, estão na política, nos hospitais, estão lendo, estudando, estão fazendo valer o direito daqueles que não tem voz, estão deixando essa dor virar força! Mas é preciso lembrar que essas mulheres não são inumanas, e precisam também de cuidados. A ideologia da super mulher vem cada vez mais colocando essas mães em posição além da que podem humanamente suportar, o que vem aumentando cada vez mais os índices de quadros de ansiedade e depressão entre as mulheres. De acordo com a OMS o país já lidera os ranking de ansiedade e depressão, e o índice é 150% maior em mulheres. É emergencial, compreender que ser mãe dói, ser mãe de crianças especiais requer muito mais cuidados.

“É de grande importância dar atenção para as mães que dedicam tanto de sua vida ao cuidado de seus filhos com necessidades especiais. Mães guerreiras, batalhadoras que dão tudo de si para poder proporcionar o melhor que podem para seus filhos, e por isso, acabam na maioria das vezes se pondo de lado. Muitas mães acabam se negando, por conta da Eulla Santos, Psicólogatamanha dedicação que oferecem aos seus filhos, e por isso, acabam desgastando-se, encontram-se estressadas, aflitas, ansiosas e algumas até mesmo deprimidas.
Por isso, é importante lembrar que mãe também merece cuidado, merece um tempo para si, para se cuidar, refletir, cuidar de seu corpo e mente. A psicoterapia, é importante não somente para as crianças, mas também para as mães, para que essas consigam olhar para si, e entender a importância que é sentir-se bem para cuidar de alguém, ter capacidade de lidar melhor com as frustrações, conhecer-se e entender que cuidar de si é cuidar do outro, pois uma mãe forte, torna-se uma base e um suporte mais forte.”
Eulla Santos, Psicóloga


Dia 27 de Outubro, às 15 horas tem encontro para mães especiais no espaço Incluir Transforma. Com uma mesa de conversa especial; participação de Flávia Albino uma das líderes do grupo mães coragem, um trabalho de apoio à mães de pessoas com TEA, Pâmela Azevedo autora do livro “O menino que era amigo do vento”, Eulla Santos, psicóloga e outras surpresas. Mais informações pelo número 22 98806 0341.

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