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Quero explicar do que se trata esta coluna. Primeiro, não sou jornalista, e não domino o mundo das letras. Sou, na verdade, mãe, e sou professora, amiga de outras mães, que também são professoras. E revelam histórias fantásticas que ficam guardadinhas entre nós. Logo, meu texto não é científico, não aborda um método, e tão pouco, é um texto político, nem teria pretensão de ser um destes gêneros de maneira isolada. Isso, porque qualquer palavra que escreva sobre o Transtorno do Espectro Autista ou inclusão é antes de mais nada uma palavra de vivência.

Algumas vivências são leves, cheias de percepção, de detalhes e outras, difíceis, de lutas e de desafios. Foi essa mistura de vivências e sensações que reunidas fizeram nascer o livro infantil: “O menino que era amigo do Vento”. Posteriormente, a luta que não tinha um nome, constituiu-se com o nome #incluirtransforma, uma hashtag que representa a universalidade dessa luta, que é de todos que acreditam que incluir realmente transforma.

Transforma a vida de quem era antes excluído, não só o indivíduo, mas também a família. Além disso, transforma o ambiente e a percepção de todos que convivem com as sutilezas e com o cheiro de vida que só a inclusão real pode proporcionar. “O menino que era amigo do vento”, foi um livro que talvez por natureza própria, ou pelos caminhos e mãos encantadas pelas quais passou, se converteu em uma arma de guerra, na nossa batalha contra o preconceito. Uma batalha que transforma inimigos em amigos da inclusão e é carregada dessas vivências, que faz nascer qualquer palavra voltada para a inclusão, principalmente quando falo desta batalha que é científica, pedagógica, social e também é certamente política.

E é por essa consciência que busco batalhar em todas as frentes. Principalmente, porque quando vejo meu filho, o autismo não é a primeira coisa que vejo. O que salta, em primeiro lugar, aos meus olhos ainda é a certeza de que, na redoma formada por sons, cores, luzes e sensações que o cercam, nesta redoma há uma janela! E eu repito para mim mesma – “Na redoma, há uma janela!” E se há uma janela, mesmo que aberta por uma minúscula brecha, então, há força para lutar. Pois se há uma brecha, todo o afeto do mundo pode passar por ela. E o que importa mais que isso? É esta brecha na redoma, ora maior, ora menor, que permanecemos procurando, e dessas janelas, grandes e espelhadas, ou por vezes pequenas, quase imperceptíveis que iremos tratar; Das fragilidades do nosso sistema educacional, da rigidez preconceituosa que serve de barreira à inclusão, coisas que enrijecem ainda mais a redoma. Mas também quero falar das potencialidades que podem ser encontradas dentro de cada processo de inclusão, dar voz a outras mães, professoras, e indivíduos que são parte dessa luta.

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